Eu ainda lembro do dia em que eu vi você pela primeira vez, como se alguma coisa dentro de mim tivesse reconhecido você antes mesmo de eu entender o porquê. E é estranho pensar nisso agora, porque naquela época eu estava quebrada de um jeito silencioso. Eu tinha acabado de perder a Crystal, e quem já perdeu um animal sabe… não é “só um gato”. Nunca foi. Era rotina, era companhia, era amor em forma de presença constante.
E o vazio que ficou depois dela não era um vazio qualquer. Era um silêncio dentro de casa, mas principalmente dentro de mim.
Foi nesse meio tempo, ainda tentando entender aquela ausência, que eu te vi. Você estava em uma foto no Facebook de uma moça. Um gatinho branco, peludinho, com um olhar que me atravessou de um jeito que eu não sei explicar. E o mais louco é que você parecia com a Crystal. Não igual, mas tinha alguma coisa ali… alguma sensação familiar, alguma conexão estranha.
E eu fiz uma coisa que até hoje eu olho pra trás e penso “eu tava completamente doida”.
Eu comecei a implorar por você.
Eu mandava mensagem pra ela como se você já fosse meu. Eu falava que você parecia com a minha gata que tinha morrido, que eu precisava de você, que eu ia cuidar de você, que você ia ser muito amado. Era um desespero meio sem filtro, meio sem vergonha mesmo. E ela, claro, achava aquilo um absurdo.
E tava certa.
Você era o gato dela.
Ela me respondia meio sem entender, meio firme, dizendo que não ia dar o gato dela assim. E eu insistia. Hoje eu vejo que ali não era só sobre você. Era sobre o buraco que a Crystal deixou. Era sobre tentar preencher algo que parecia impossível de preencher.
E o tempo passou.
Meses.
Eu já nem sabia mais de você. A vida foi seguindo, do jeito que dava. O vazio ainda estava ali, só que mais quieto. Mais escondido.
Até que, um dia, ela me chamou.
Do nada.
Perguntando se eu ainda queria você.
E eu lembro exatamente da sensação. Foi como se alguma coisa tivesse voltado a respirar dentro de mim. Eu nem pensei direito. Eu só disse que sim.
E fui te buscar.
Eu não sei se você lembra daquele dia. Provavelmente não. Mas eu lembro de cada detalhe como se estivesse acontecendo agora. O caminho, a ansiedade, o coração meio apertado, meio esperançoso.
Foi nesse meio tempo, ainda tentando entender aquela ausência, que eu te vi. Você estava em uma foto no Facebook de uma moça. Um gatinho branco, peludinho, com um olhar que me atravessou de um jeito que eu não sei explicar. E o mais louco é que você parecia com a Crystal. Não igual, mas tinha alguma coisa ali… alguma sensação familiar, alguma conexão estranha.
E eu fiz uma coisa que até hoje eu olho pra trás e penso “eu tava completamente doida”.
Eu comecei a implorar por você.
Eu mandava mensagem pra ela como se você já fosse meu. Eu falava que você parecia com a minha gata que tinha morrido, que eu precisava de você, que eu ia cuidar de você, que você ia ser muito amado. Era um desespero meio sem filtro, meio sem vergonha mesmo. E ela, claro, achava aquilo um absurdo.
E tava certa.
Você era o gato dela.
Ela me respondia meio sem entender, meio firme, dizendo que não ia dar o gato dela assim. E eu insistia. Hoje eu vejo que ali não era só sobre você. Era sobre o buraco que a Crystal deixou. Era sobre tentar preencher algo que parecia impossível de preencher.
E o tempo passou.
Meses.
Eu já nem sabia mais de você. A vida foi seguindo, do jeito que dava. O vazio ainda estava ali, só que mais quieto. Mais escondido.
Até que, um dia, ela me chamou.
Do nada.
Perguntando se eu ainda queria você.
E eu lembro exatamente da sensação. Foi como se alguma coisa tivesse voltado a respirar dentro de mim. Eu nem pensei direito. Eu só disse que sim.
E fui te buscar.
Eu não sei se você lembra daquele dia. Provavelmente não. Mas eu lembro de cada detalhe como se estivesse acontecendo agora. O caminho, a ansiedade, o coração meio apertado, meio esperançoso.
E quando eu te vi de perto pela primeira vez…
Você era ainda mais lindo.
Todo branco, todo peludinho, com aqueles dois olhos diferentes que pareciam contar duas histórias ao mesmo tempo. Um verde, um azul. Eu nunca tinha visto nada igual tão de perto. Você parecia um daqueles gatos que a gente acha que só existe em foto.
Mas você não era só bonito.
Você era… você.
E foi ali que começou tudo.
A nossa história não foi construída de forma grandiosa. Não teve nenhum momento cinematográfico. Foi nos detalhes. Nos dias comuns. Nos gestos pequenos que, com o tempo, viraram tudo.
Você tinha um jeito único.
Aquela mania de mamar na coberta… eu nunca vou esquecer. Era como se você tivesse parado no tempo em algum lugar da sua infância e carregasse aquilo com você. Era um conforto seu. Um ritual. E eu ficava te olhando, achando aquilo a coisa mais pura do mundo.
Você gostava de deitar em mim. Na minha barriga, no meu peito, perto de mim de qualquer jeito que fosse. Como se você soubesse exatamente onde era o seu lugar.
E talvez você soubesse mesmo.
Você assistia televisão. Quem fala isso pode até achar estranho, mas você realmente assistia. Ficava ali, olhando, prestando atenção. Era como se você fizesse parte da rotina de um jeito tão completo que parecia até gente.
Você brincava, você era leve, você era tranquilo.
Você era bom.
E isso pode parecer uma palavra simples demais, mas não é. Você era um gato bom. De um jeito que não dá pra explicar muito, só sentir.
E você me fez feliz.
Muito mais do que eu acho que você imaginava.
Você chegou num momento em que eu precisava de algo que não exigisse explicação. Algo que simplesmente estivesse ali. E você estava.
Sem julgamento, sem cobrança, sem complicação.
Só presença.
E talvez seja isso que mais dói quando eu penso que meu gato morreu.
Não é só a ausência física.
É a falta dessa presença.
É não ter mais você deitado comigo, não ouvir mais seus barulhinhos, não ver mais aquele pelo branco espalhado pela casa, não te ver fazendo suas manias que, na época, eram tão normais que eu nem pensava que um dia iam fazer tanta falta.
A gente nunca pensa.
A gente vive como se fosse eterno.
E talvez seja isso que torna tudo tão difícil depois.
Porque quando acaba, não é só o presente que vai embora.
É tudo que ele representava.
Você não foi só um gato.
Você foi um momento da minha vida.
Um momento em que eu estava tentando me reconstruir, mesmo sem perceber. E você esteve ali, sendo parte disso.
Às vezes eu fico pensando se você sabia o quanto eu te amava.
Se dava pra perceber.
Se nos dias em que eu estava mais quieta, mais distante, você sentia que não era falta de amor, mas excesso de coisas dentro de mim.
Eu espero que sim.
Eu espero que, de alguma forma, você tenha sentido que aquele lugar era seu.
Que eu era sua pessoa.
Porque você foi meu.
E ainda é, de alguma forma.
O tempo passou, a vida mudou, outras coisas vieram… mas quando eu lembro de você, não tem como não sentir algo apertar aqui dentro. Não de um jeito ruim, mas de um jeito… verdadeiro.
Porque foi real.
Você foi real.
E o amor que eu senti por você também foi.
E ainda é.
Mesmo agora, escrevendo isso, parece que eu estou voltando no tempo. Como se você ainda estivesse aqui em algum lugar, só fora do meu alcance.
E talvez seja isso que o amor faz.
Ele não acaba junto com a presença.
Ele continua existindo, só muda de forma.
Hoje, quando eu penso em você, não é só tristeza. É saudade misturada com gratidão. Porque, de alguma forma, você me encontrou num momento em que eu precisava.
E ficou.
Pelo tempo que deu.
E foi suficiente pra deixar uma marca que não vai embora.
Eu não sei explicar isso direito, mas algumas presenças são assim. Elas não ficam pra sempre, mas deixam algo que fica.
E você deixou.
Você deixou lembranças, você deixou carinho, você deixou partes de você espalhadas na minha história.
E talvez, no fundo, seja isso que significa amar.
Não é segurar pra sempre.
É sentir, viver, guardar… e continuar levando, mesmo depois que já não está mais ali.
Meu gato morreu.
Mas o que você foi pra mim não morreu.
E nunca vai morrer.
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